terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Querido Charlie,

    Essa semana acabei de ler todas as suas cartas. Você compartilhou comigo coisas tão singulares da sua vida, que eu pensei ser bacana da minha parte tentar te responder de alguma forma. Dizer que esses momentos que significaram muito para você, e que, com tanto afeto você dividiu comigo, por incrível que pareça, acabaram significando muito pra mim também.
    Quero te dizer que eu queria que você fosse real. Na verdade, bem no fundo, sei que você é. Talvez eu não o tenha encontrado, ou talvez tenha e ainda não percebi. Talvez você realmente não se chame Charlie, mas sim Nathan, Lucas, Pedro, Thomas... vai saber! Mas mesmo assim, eu escrevo pra você te agradecendo por tudo. Te agradecendo por ter confiado em mim e ao me escrever, ter me deixado ser meio Charlie pra você também. Acompanhei sua história, cada cena que você descreveu, cada momento que você disse ter derramado lágrimas, acredite, eu derramei também ao ler. Eu te entendi em cada questionamento que você se fez. Espero ter feito um bom trabalho como Charlie para você. Espero ter visto, guardado silêncio e compreendido tão bem como você faz.
    Sabe Charlie, a verdade é que todos nós somos um pouco problemáticos mesmo. Uns mais, outros menos, mas todos, sem exceção, possuímos o questionamento “o que há de errado comigo?” vagando pelos nossos pensamentos. Acho que é inevitável. Mesmo você sendo tão singular, tão diferente de tudo o que eu já vi, já conheci, já li, acho mesmo que todos temos um pouco de você em nós. E acredite em mim, isso é bom. Você é puro, honesto, doce, sensível e invisível. O que mais se pode querer de um amigo? O que mais podemos querer ser, além disso?
    Em uma das cartas (uma das minhas favoritas) você mencionou que passou o feriado lendo Hamlet e que se deu conta de que outros no passado já viveram na mesma situação. Se serve de algum consolo, posso te afirmar que hoje, em pleno ano de dois mil e treze, existem milhões de pessoas vivendo as mesmíssimas sensações que você viveu na década de noventa. Confesso que eu mesma me sinto assim às vezes... sozinha e desprotegida. Lembro que você também falou do seu desejo de que Deus ou qualquer outra pessoa te dissesse como ser diferente de uma forma que faça sentido. Sabe, Charlie, você faz sentido pra mim. E tenho certeza que você faz sentido pra Sam também e para o Patrick. Você é o tipo de cara que simplesmente está ali. Mesmo que não tenha nada a dizer, nada a fazer, você vai estar ali e isso já faz todo o sentido. As coisas não se encaixam quando somos nós que carregamos as dificuldades, e realmente tudo fica muito confuso. Como disse seu psiquiatra, “as coisas pioram antes de melhorar”, ou seja, não faz sentido agora, mas fará depois. Talvez um dia a gente venha a entender o porquê desses porquês.
    Sabe de uma coisa engraçada? Essa história de todos sermos meio Charlie, mas precisarmos de um Charlie ao nosso lado para nos ajudar nos momentos difíceis. Essa particularidade te faz muito especial e eu te agradeço mais uma vez por ter me permitido fazer parte disso tudo.
    Espero que você continue sempre tentando fazer com que as coisas fiquem bem, espero mesmo que você tente “participar” e se encaixar. Quando tudo sair de seu controle, apenas tente se acalmar e deixar que o silêncio ponha tudo no lugar. Mande abraços para seu professor Bill. (Confesso que me interessei e anotei todos os nomes de livros que ele te deu para ler). E ah! Agora, toda vez que ouço Asleep é inevitável não lembrar de você. Gosto muito da versão cantada pela Emily Browning, você deveria procurar para ouvir algum dia.
Com amor,
Loren

2 comentários:

  1. "Todos somos Charlie e precisamos de um Charlie pra nós". Fato, né, Loren? Linda a sua carta pra ele, aposto que ele amou recebê-la! ;)
    Beijos!

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  2. Melhor texto sobre o livro que li até agora! Charlie vai amar <3

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