Tenho que confessar que ando triste. Triste porque não ando muito boa para escrever. Parece até que perdi a poesia. Os filmes não fazem mais sentido, nem mesmo aqueles de décadas passadas. Esses dias parei para assistir “De repente 30” –pela milionésima vez- e dessa vez, diferente das demais, não consegui encontrar nada para ficar refletindo no escuro. Revi Orgulho e Preconceito, meu filme favorito. Nem mesmo o olhar de Mr. Darcy me deu ânimo para rabiscar no papel algumas palavras.
Ando ouvindo os CDs de Jason Mraz dia após dia. “Because I'm crazy like the rest of us, but I'm crazier when I'm next to her. And it's so amazing how she's so self-assured, but I know she'd hate me if she knew my words. Do I hurt anymore? Do I hurt? Well, I don't. I don't. I don't” Eu ainda sou assim tão segura? Você me odiaria se soubesse o que eu falo de você? Quem é você? Eu ainda machuco? Às vezes parece que tenho muito a escrever, mas quando me ponho a digitar, nada vem, nada ganha vida. As palavras não se encaixam. Isso me deixa triste demais.
O ano novo foi bom, mas 2013 chegou com menos vida do que eu esperava. Eu não sei mais no que pensar, em quem pensar. Não sei mais poetizar sobre os ventos que vêm do pulmão. Os dias andam corridíssimos, agindo festas, reencontrando amigos, passando vergonha... Tem sido bom, mas estou com saudade do meu papel e caneta. Do sentar na cama e sentir a brisa fresca do anoitecer que entra pela janela. Escrever por escrever, sobre aquela frase que fulano falou, sobre aquele riso que tal personagem deu na série que gosto, sobre aquele trecho daquela música que ouço todo dia, mas que de repente fez sentido. Coisas que ficarão somente no papel e que nunca chegarei a publicar no blog. A falta disso me deixa realmente triste.
Esses dias minha melhor amiga dirigiu pela primeira vez, coisa rápida, papo de duas ruas. Eu estava no banco de trás e senti uma coisa boa no pé do estômago. Naquele momento eu tive vontade de estar com papel e caneta na mão para escrever sobre o calor, sobre aquele segundo em que nosso amigo segurou minha mão ao meu lado, sobre as nossas risadas, sobre a aventura débil a 20 quilômetros por hora. Queria estar com papel logo depois que acordei no meio do filme. Queria escrever sobre o barulho do nosso amigo fungando o tempo todo, sobre o frio do ar condicionado, sobre aquele chão que abrigava três corpos sonolentos. E agora, aqui, na frente desse computador, não estou conseguindo falar sobre isso. É triste.
Venho tentando preencher esse vazio lendo desesperadamente Drummond, Quintana, Carpinejar. Ontem descobri um tal de Francis Russell O’Hara, ele é inspirador. Todos eles são. Por isso ando tentando usá-los para sanar minha tristeza. Para tentar descobrir o que me falta. Confesso que larguei "Persuasão" da Jane Austen porque eu estava deprimida e irritada com a Anne e comecei "As Vantagens de Ser Invisível". Não que eu não tenha me deprimido com o Charlie em algumas cartas, mas gosto dele, gosto mesmo. Acho que Charlie me entenderia porque sinceramente eu o entendo. Já terminei de ler e também estou triste por ter deixado Persuasão de lado, mas tão pouco tenho vontade de continuar. Sei que Anne vai voltar a me irritar.
Ah! Tem gente nova chegando. Espero que venha para acrescentar e me inspirar a escrever. Tem gente que está aqui há dois meses, me rendeu dois textos que publiquei e depois os deixei escondidos nos rascunhos. E mais nada. Eu cansei das sms, dessas conversinhas sem sentido no chat do facebook. Cansei dessa coisa toda, mas tão pouco tenho coragem de chamar para mais perto. Estou triste demais para isso e estou triste por isso, por você ser um cretino. É foda.
É uma fase ruim e espero que passe logo. Bem logo.
Ai Lorenzita, que dor no coração esse post.. Sei como dói não ter inspiração. Eu fico pra morrer. Mas eu tento relaxar e esperar ela voltar. E quanto ao cretino, tenta deixar isso pra lá também e esperar ele perceber sozinho o quanto perdeu sendo cretino com alguém tão incrível como você!
ResponderExcluirBeijos! <3
Eu vejo tudo isso como reflexo de uma coisa, Loren: Vc está amadurecendo. Vc já está esperando por outras coisas, outras experiências, outras pessoas... a mesmice já te irrita, vc está qurendo mais. A boa notícia é que a inspiração parece que nos abandona, mas ela sempre volta, e as vezes volta disfarçada em textos tão verdadeiros e fortes como esse. Vai passar, minha linda!
ResponderExcluirBeijos!
Carol, eu realmente espero que você melhore logo e volte com seus risos felizes e seus pensamentos bonitos sobre a vida e o mundo. Que pequenas coisas voltem a te inspirar e que pessoas melhores apareçam pra você ^^
ResponderExcluirUm abraaaço apertado <3
Lorenzita, eu fiquei com muita vontade de te abraçar depois de ler esse post. Abraçar e dizer que vai ficar tudo bem. Vai ficar tudo bem porque você é uma flor e merece isso. Esqueça o cretino (por mais que seja difícil, quando a gente fica determinada a fazer algo, a gente consegue). Tente se desligar um pouco, sabe? Ir para um lugar com paisagens bonitas, uma chácara, sei lá. Ou tomar um banho de piscina. Ou de chuva, por que não? Me ligar a essas coisas simples sempre me devolve a inspiração. Vai passar, lindona! Um beijo!
ResponderExcluirLorenzita, vou te dizer uma coisa aqui: se você soubesse quantas crises assim eu tenho durante todos os anos desde que me entendo por gente, você me perguntaria como ainda não enlouqueci. O que eu sempre faço quando estou assim você já está fazendo: leia, leia bastante até um dia as palavras voltarem a fazer sentido. Acredite, se existe no mundo algo que dá e passa, são essas fases ruins. Te cuida e, se precisar, me grita que eu cuido de você também!
ResponderExcluirBeijo.
Olá Loren!
ResponderExcluirOlha, por mais que a gente se sinta mal e não veja muito sentido nas coisas, crises assim são normais. A maioria das pessoas passa por momentos assim e depois de um tempo a gente percebe que faz parte, sabe?
A minha situação é um pouco oposta da sua. Quando estou muito feliz não consigo escrever direito. Sinto-me eufórica para viver a aproveitar todos os momentos de felicidade e escrever não me parece uma opção atrativa, principalmente porque tenho a impressão de que as palavras não se encaixam direito.
Já quando estou mediana ou triste, escrevo com facilidade! E sabe por que? Porque escrever me deixa feliz e é essa a forma que encontro de superar a medianice ou a tristeza para me sentir bem depois!
Você tem que fazer é isso, é procurar algo que te deixe feliz e, mesmo que o de sempre não funcione, tenho certeza que você vai achar outra coisa. Nem que seja no abraço quente dos seus amigos ou com música alta nos ouvidos! Alguma forma existe, isso eu te garanto!
Beijinhos :*
É uma fase, querida. Às vezes é chato...mas você não devia se preocupar, e sim procurar leveza, vai ver a inspiração tá lá, à sua espera.
ResponderExcluirE esse texto pra mim foi muito bem inspirado, viu?
Ah, e não me irritei muito com Anne Elliot, amei demais Persuasão. Beijo!
Gostei do seu Blog Carolinda. Quanto a inspiração, ela vem no momento certo. Motivos para escrever não faltam...Cada texto é um pedaço de nós,por isso deixe sempre as melhores partes de você. Olhe a sua volta, olhe para sua casa (família) e verá que ainda existem tantas coisas que precisam de um olhar diferente, olhar incomum, como o de um poeta para ganhar vida e cor.
ResponderExcluirAbraço