"Acho que somos de mundos diferentes" ele disse. Li aquilo traduzindo para "Não dá não, desculpa aí, até mais" no bom português. Não pude discordar. Não tive como discordar.
Ultimamente venho sendo bem piegas, clichezona e amante de um bom romance diabete, mas (graças aos céus) ainda possuo minha veia realista. Essa história de opostos se atraírem, pra mim, não rola. E não estou falando de ele gostar de branco e ela de preto. Não. Branco e Preto formam um belo par. Estou falando de ele chegar com aquelas cantadinhas ridículas se achando o super engraçado enquando ela só queria que ele citasse Mario Quintana. Estou falando de ele dar muito valor às aparências enquanto ela só deseja ter um papo cabeça. Estou falando de ele se amarrar em ficar horas em uma academia enquanto ela só quer sentar com uma xícara de café e ler um bom livro.
"Pois é", respondi. Desde então não nos falamos mais. Agora só reparo que ele está online porque vejo os compartilhamentos dele todos relativos à academia, boa forma e aparência enquanto eu estou curtindo o bicentenário de Orgulho e Preconceito e pirando com a notícia de que John Mayer (que ele confessou nunca ter ouvido falar -PELO AMOR DE DEUS SOCIEDADE-) confirmou presença no Rock in Rio.
Não é uma questão de não se dar bem um com o outro, mas o fator "mundos diferentes", como ele muito bem colocou, atrapalha bastante as coisas. Deve ser exaustivo lutar, tentar entender, abrir mão, argumentar e aceitar todos os dias aquilo que não faz parte de seus interesses, mas que é a vida do outro. Minha prima acha que a graça da vida é essa: aprender a lidar com as diferenças do próximo e passar por cima disso tudo e aprender ser feliz com isso. É uma bela forma de ver as coisas, mas até onde isso é possível eu já não sei dizer. Até onde isso tudo pode ir, até quando pode durar, até onde se pode suportar tantas diferenças... Sinceramente, não acredito. Não sei se consigo.
E aí que eu vou abrindo mão de tentar porque já tenho uma visão que me diz "nunca daria certo". Minha mãe diz que sou exigente demais, que não posso cobrar tanto dos outros ou acabarei sozinha. Talvez eu entenda muito pouco do amor e de tudo que ele é capaz de suportar e vencer. Tenho dezessete anos e entendo pouco desse mundo de relacionamentos e como ele funciona. Talvez por isso eu seja assim, descrente. Contudo, por enquanto, sou dessas que não vê dando certo um relacionamento em que ele quer ir para a boate capenga ouvir MC Beyoncé no ~camarote~ enquanto ela quer ver uma peça de teatro.
Talvez eu não entenda NADA mesmo sobre o amor, mas acho que já é difícil chegar a amar de verdade e logo de cara alguém que se mostra ser o seu completo oposto. Talvez amanhã o amor me surpreenda e me faça engolir todas as minhas palavras, me faça abrir mão de uma tarde com meus livros e sair com ele para uma boate capenga, só para agradá-lo. Entretanto, hoje, só quero mesmo o cara de óculos que gosta de falar de revoluções, política e debater filosofias sobre as letras dos Los Hermanos.

Eu sou igual a você, Loren. Talvez seja por isso que eu esteja solteira aos 20, mas talvez não. Já vi muita gente que se apaixona por gente de tudo quanto é tipo e também está solteira. Eu trimiliquei de nervoso ao imaginar um namoro entre as duas pessoas descritas no seu post. Tipó, seria lindo funcionando, mas eu jamais entraria numa dessas. Mas isso eu digo, claro, desafiando um amor. Se ele aceitasse o desafio e eu me apaixonasse a ponto de fazer tudo isso aí parecer insignificante, eu provavelmente acharia lindo e diria que acredito na paixão e coisas do gênero. Por enquanto eu continuo chata, exigente, e claro, solteira. Oh God, why me!
ResponderExcluir(desafiando o amor, não UM amor)
ExcluirOlá, Loren, bom dia.
ResponderExcluirNamoro a 4 anos, e o engraçado é que eu e meu namorado eramos iguaizinhos. Ele barbudo e moreno, falando de revolução russa e de politica, e nós cantando faroeste caboclo nas horas vagas. "Amigos" inseparáveis.
Depois de um tempo descobri o quanto ele era organizado e eu, uma relaxada. E ai eu visitei a casa dele e reparei que os quadros eram retos e ele tinha dinheiro o bastante guardado pra namorar comigo e sairmos todo dia por uns 2 anos sem nem precisar trabalhar, isso qnd ele tinha 15 anos.
E eu no fim do mês guardo moedinha pra tomar um toddinho na hora do almoço porque consigo gastar 60 reais num unico fim de semana SÓ com comida.
Diferença talvez seja só isso. e não um garoto sem cérebro. Tem coisa que irrita muito nele? tem. diferenças enormes. Mas não tao grandes a ponto dele se tornar insuportável.
Vai achar seu garoto, com certeza :)
Acho que tudo tem um limite, né? AS pessoas podem ser diferentes, mas não tanto a ponto de distanciar os dois mundos.
ResponderExcluirBeijo! <3
Voce vai entendendo o amor conforme o vive :)
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