terça-feira, 13 de março de 2012

Dez de Março de Dois Mil e Doze

Dois anos de grande tortura, mas agora eu me sinto viva de novo. Ainda de mansinho, engatinhando, acumulando força e coragem para recomeçar a andar. Pode parecer que estou com a corda toda, mas é só a sensação que se tem ao experimentar pela primeira vez o paladar de “vida boa”, que nos deixa em êxtase, mas depois vai desacelerando. Boas lembranças. Ah, como são boas as lembranças da primeira noite do resto de toda a vida boa que eu tenho pela frente!
Algumas falas e ações foram esquecidas ou embaralhadas pelo cérebro que estava enevoado, mas praticamente todas as músicas foram dançadas como se não houvesse um novo amanhã, como se fosse o último sábado a noite do resto de minha vida.
Eu estava ali no meio de pessoas tão importantes, de gente tão legal, que às vezes me ajudaram tanto e nem fazem ideia disso. Eu estava ali dançando com o corpo, com os cabelos, com a alma e o sorriso de liberdade. O ar faltava em meio a tantos giros e passos desengonçados e improvisados, o suor escorria, mas sempre chegava alguém com um copo na mão e lá se iam goles de bebidas que não me lembro o nome, só a cor. Tudo tão bem, tão leve.
Eu dançava ao lado dele, mas a vontade de puxá-lo pela nuca e cumprir uma promessa maluca feita dois anos antes não me veio em nenhum momento. Eu só queria aquilo mesmo, dançar juntos como malucos que ainda têm a vida inteira pela frente, como uma garota e um garoto que são melhores amigos, como melhores amigos que querem comemorar a grande noite! E foi isso, tudo tão maduro da nossa parte, tão suave.
Eu e minhas amigas rindo e dançando com o vestido colado ao corpo devido ao suor, mas a gente não estava nem aí, só queríamos isso mesmo, aproveitar e brindar a chegada dessa nova fase. E os goles que me tiraram do chão, que me fizeram achar graça no rosto das pessoas, nas luzes, nas vozes, na vida, ah os goles! Os tantos goles que fizeram efeito sem que eu desse conta, a pista de dança agora girava rápido e eu flutuava.
Aí começa a tocar “Someone Like You”, nada melhor do que isso para ir se jogar na pista e brindar o fato de que vou achar alguém como você e gritar com todo o meu pulmão que é pra você não me esquecer porque eu vou sempre te amar, mas agora vai ser um amor saudável, do tipo que conta e guarda segredos, do tipo que une irmãos.
Do nada o clima nostálgico (porém muito libertador) se desfaz em meio aos efeitos de luzes e fumaça e o ambiente é preenchido pelo clima sertanejo. Não sei nem me mexer nesse ritmo musical, mas a verdade é que me joguei ainda mais. Larguei meu copo daquela bebida (bebida essa que a Jéssica no auge de sua loucura começou a chamar de balinha) e comecei a dançar de olhos fechados. Alguém me puxou e me tirou pra dançar mesmo eu sendo tão péssima em coordenar os pés quando a dança é a dois, mesmo eu não sentindo o chão sob meus pés. E assim foi. Intenso eu diria. Eu podia estar em um nível comprometedor da minha sanidade que eu nunca havia chegado antes, mas eu me sentia consciente. Eu estava destemida. Não sei se consegui coordenar mãos, pés, cabeça, mente, boca e olhos, mas eu sabia que aquela era a hora e o lugar, que era o certo a se fazer, mesmo que talvez doesse no fundo da minha alma ou na alma do meu bad romance, mas foi fácil e eu tive certeza que estava livre.
E aí me vejo com todos os meus amigos ao meu redor me olhando como se nunca tivessem me visto antes. Talvez tenha sido exatamente isso. Ali de pé estava alguém liberta e consciente, agora no controle de suas ações e sentimentos. Alguém que tinha acabado de recomeçar. Alguns ficaram preocupados tentando me acalmar, me por em mim de volta, mas eu estava tão bem, tão feliz, tão leve, tão risonha que eu me prometi que eu nunca mais seria outro alguém que não fosse essa nova pessoa.
Fim de noite, início de vida.
Obrigada a todos os envolvidos pelos três fabulosos e indescritíveis anos. Pelas gargalhadas, brincadeiras e tormentos também, por que não? Acho que todos crescemos muito de alguma forma, amadurecemos ao longo do tempo e talvez tenhamos até nos tornado pessoas melhores.
Obrigada a você que já estava há praticamente um ano tentando me tirar pra dançar, mas acho que foi na hora certa (apesar dos pesares, rs). E que agora a vida e as coisas sigam assim, naturalmente.
E quais são as minhas lembranças da noite de formatura? O lábio inferior roxo, uma noite flutuante, conversas das quais só me lembro das gargalhadas, um brinde em comemoração ao encerramento de mais um ciclo e a maravilhosa sensação de dever cumprido!

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