quarta-feira, 13 de junho de 2012

Apenas o fim, o dia em que um filme salvou meu dia dos namorados.

Acordei com aquela sensação estranha de que estava fazendo tudo errado, quase voltando atrás em tudo o que eu digo e me entregando ao romancismo barato, aos mimos, aos carinhos, mas respirei fundo e fui levando o dia. Os casais na rua não me incomodavam, nem as flores que os homens carregavam para provavelmente presentear a amada quando ele fosse buscá-la para jantarem juntos, porém as explosões de corações de pelúcia de braços abertos que diziam "eu te amo um tantão assim" que vinham das lojas me fizeram ficar enjoada. Cheguei no pré, Andy estava lá com cara de cão da depressão (não o culpo). No intervalo comprei uns chocolates bem enjoados e minha vida melhorou um pouco.
Chegando em casa, fui assistir ao filme Apenas o Fim, que o Andy tanto insistia para que eu visse. Pois é, é isso aí. Quando os créditos finais começaram a subir eu me senti completamente diferente, como se eu estivesse mesmo fazendo o certo. Porque é exatamente daquele jeito que eu me vejo em um futuro não muito distante. Alguém pra andar e andar pelos corredores da faculdade onde vamos nos conhecer. Nós vamos caminhar muito, sentar em bancos e escadas e conversar conversar conversar e conversar sobre nós. Deitados em uma cama de solteiro, vamos discutir sobre filmes, boy bands, estilos, ovos de páscoa, músicas, sites, nossos devaneios vão se encaixar, vamos discordar de tudo o que o outro falar. Ele pode usar um All Star verde, blusa de gola polo, óculos do avô, colecionar bonequinhos e ainda assim eu vou ter vontade de gritar que ele é meu namorado, que ele é o pai dos gêmeos que estou esperando e que vamos nos mudar para a Bahia. Um cara que vai completar minhas histórias, que vai escrever comigo, talvez por mim e pra mim. Que vai dizer que eu sou a garota mais maluca que ele conhece, mas também a mais incrível. Que vai aparecer nos meus sonhos como um herói, que vai me salvar das criaturas mais bizarras que habitam o meu subconsciente. Que vai me provar que no fundo eu escondo uma garota adepta ao amor clichê que todos falam e vivem por aí.




E o mais legal de tudo é que tem um fim. Não um fim apoteótico, grandioso, tipo final de filme, rs, apenas um fim. E isso é a essência do amor, a minha essência em relação ao amor, essa coisa que eu tenho de acreditar que não precisa ser para sempre, até que a morte nos separe, mas que seja para sempre até o nosso fim, até o dia que eu resolva ir embora, até o dia que seja preciso uma mudança, até apenas o fim.
Eis que meu dia dos namorados foi salvo! Me dei conta de que eu não preciso dizer que sim para nenhum desses que me chegam com fofices declarando amores inevitáveis e saudades eternas. Que eu não preciso entrar em nada sério só porque o cara é legal, meu amigo e diz que me ama há muito tempo, porque no fundo eu sei que não vai ser o filme que eu quero viver. E outra, algo está me dizendo que a partir de agora não falta tanto assim para aparecer o protagonista do meu filme, que tudo pode sofrer grandes alterações, que daqui a duas semanas minha vida pode ser totalmente diferente.




"Sabe, não combina com você esse perfilzinho de menina má. Isso não combina...
Você é uma fraude sabia? Pronto, falei, você cê é uma farsa, uma farsa bem bonitinha, você é uma farsa, tá?"

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