terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

mais um devaneio noturno

23:14 do dia seis de fevereiro de dois mil e doze.
Provavelmente vou escrever um monte de coisas sem sentido porque só quero esvaziar a mente. Talvez em uma segunda ou terceira releitura as coisas comecem a se encaixar e ficar claras.
Só sei que tem algo errado, mas não consigo ver nada de errado acontecendo. É como se fossemos grandes tocadores de fita e dentro de nós há fitas, tocando, mas eu estou tocando com a função mudo ativada e aí ninguém de fora consegue ouvir o que está sendo reproduzido porque somente eu consigo ler o que está sendo dito porque a função mudo está sempre ativada. Mas não há nenhum problema com o mudo, porque se não, ela não existira em verdadeiros tocadores de fita, rádios e televisões. Para mim essa função serve para ouvir melhor, por incrível que pareça. Ouvir melhor o que vem de fora e no meu caso, ouvir melhor o que está dentro. E não é porque a função mudo está ativada que a fita parou de tocar, não, ela continua ali, continua sendo reproduzida. O grande problema, creio eu, é achar que o mudo não tem graça, que é irritante, talvez seja porque o mudo lembra o silêncio do fim, mas não é o fim, não ainda, continuo a reproduzir o conteúdo de minha fita no silêncio. Não há nada de errado com o silêncio, errado é a sua forma de interpretá-lo em algumas ocasiões. O silêncio só se torna desconfortável se você está se sentindo sozinho. Ficar a sós em silêncio com um ou vários amigos não é desconfortável, não há problema se seus amigos algumas vezes reproduzem suas fitas no mudo, mas se você quer reproduzir sua fita em alto e bom som quando os outros querem silêncio, cabe a você ter paciência, dar uma pausa ou seguir em frente e depois rebubinar.
A impressão que tenho é justamente essa: enquanto eu estou com a função mudo ativada, você está querendo que a sua fita toque o mais alto possível. Para mim ela está soando estranho, parece emperrada, como um CD arranhado que fica repetindo várias vezes a mesma coisa de novo e de novo e de novo... e quando parece que em fim você conseguiu pular essa faixa ruim e seguiu em frente mais um arranhão aparece. Eu quero te ajudar a se mover, mas as palavras não saem para que você as escute.
Você me cobra que eu te dê valor, mas eu não sei como te demonstrar isso em volume alto e que dirá em silêncio. E eu não sei mais como agir porque você está gritando aos quatro ventos que vai desistir. O que eu posso fazer para impedir? O que você quer de mim? É só me pedir, mas não venha pedir palavras quando eu não as tenho. Eu tenho um pedido para te fazer, somente um: NÃO DESISTA. Não é porque você acha que acabaram as palavras que irão acabar as conversas, a amizade, o amor, tudo. Não acabou. Você tem medo de pausar sua fita e ficar presa nesse arranhão pra sempre e aí fica tentando desesperadamente seguir em frente, acelerar, mas tem que ter calma, desenrolar a fita e colocar para reproduzir de novo, nem que tenha que recomeçar.
Não desista. Eu estou aqui, estou no mudo, mas posso te ouvir gritar em meio ao silêncio, você é que está tão presa, tão preocupada de ficar nisso por mais tempo que não consegue ouvir o que vem do meu silêncio.
Eu me recuperei de uns arranhões em que fiquei presa e fiquei rebubinando e ouvindo a mesma parte triste e pavorosa da minha fita várias vezes, mas eu superei, estou tranquila, querendo ouvir o silêncio. Pare um pouco, desacelere, pense, ouça seu próprio mudo. Eu não vou a lugar nenhum. Nós ainda vamos reproduzir em coro muitas coisas boas, lindas, vitoriosas e doces.

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